ÚLTIMA HORA | Simulação de sismo de magnitude 6.7 no norte do país testa resposta de emergência
O norte de Portugal viveu momentos de tensão controlada este sábado durante um exercício nacional de proteção civilque simulou um sismo de magnitude 6.7 ao largo de Viana do Castelo. A operação, conduzida pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) em conjunto com a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), teve como objetivo avaliar a capacidade de resposta das autoridades perante um cenário de catástrofe de grande escala.
Treino de grande dimensão
O simulacro decorreu pelas 18h42 e mobilizou equipas de bombeiros, PSP, GNR, INEM, Cruz Vermelha e voluntários de várias autarquias. O cenário recriava um abalo submarino a cerca de 15 quilómetros de profundidade, sentido com intensidade nas cidades de Viana do Castelo, Braga, Porto e Vila Real.
No exercício, centenas de figurantes representaram cidadãos em pânico, enquanto as forças de socorro testavam planos de evacuação, comunicações de emergência e procedimentos de busca e salvamento urbano.
Testar a prontidão e coordenação
A ANEPC sublinhou que a iniciativa faz parte de um conjunto de treinos nacionais destinados a preparar o país para situações sísmicas inesperadas.
“Estes simulacros são essenciais para garantir que a resposta operacional é rápida, eficiente e bem coordenada entre entidades locais e nacionais”, referiu um porta-voz da Proteção Civil.
Durante o exercício, foram simulados danos em edifícios antigos, cortes de energia e falhas nas telecomunicações, de forma a reproduzir as condições de um desastre real.
Participação ativa das populações
A população local foi previamente informada do simulacro, mas ainda assim, o realismo das ações causou algum sobressalto em quem não estava a par da iniciativa. Em Braga, algumas pessoas saíram momentaneamente de casa ao ver as sirenes e viaturas de socorro nas ruas.
Em Viana do Castelo, voluntários representaram moradores desalojados, participando em operações de abrigo temporário e distribuição de mantimentos. “Foi uma experiência intensa, que nos faz perceber como é importante saber o que fazer num sismo verdadeiro”, relatou uma participante.
Aprender com o cenário
O IPMA aproveitou a ocasião para reforçar as recomendações de segurança em caso de abalo real: manter a calma, afastar-se de janelas e objetos suspensos, procurar abrigo sob estruturas firmes e evitar o uso de elevadores.
Segundo os geofísicos envolvidos, a simulação baseou-se em cenários cientificamente possíveis, uma vez que a zona noroeste do país, embora de risco moderado, está situada próxima da fronteira de placas tectónicas.
Avaliação e próximos passos
No final do exercício, as autoridades destacaram o empenho das equipas e a boa coordenação intermunicipal. Serão agora analisados relatórios de desempenho para identificar falhas e oportunidades de melhoria.
“A preparação é a melhor forma de proteger vidas. Quanto mais realistas forem estes exercícios, mais prontos estaremos para reagir a um evento verdadeiro”, afirmou o comandante nacional da ANEPC.
Conclusão
A simulação terminou sem incidentes reais, mas deixou uma mensagem clara: a prevenção e a formação da populaçãosão fundamentais num país que, embora raro, pode ser atingido por sismos significativos.
O “abalo” deste sábado foi apenas um teste — mas serviu para lembrar que, diante da força da natureza, o melhor plano é estar informado e preparado.
