Salvador Sobral voltou a fazer ouvir a sua voz, mas desta vez fora dos palcos. Em entrevista à SIC Notícias, o cantor português que venceu a Eurovisão em 2017 deixou um apelo urgente sobre a situação na Palestina, mostrando solidariedade para com as vítimas e admiração pelos portugueses que integraram uma missão humanitária rumo a Gaza. Apesar de confessar que não conseguiu juntar-se à flotilha, o músico reconheceu a coragem de nomes como Sofia Aparício, Mariana Mortágua e Miguel Duarte.
De forma transparente, Sobral admitiu não ter a força necessária para enfrentar uma missão de risco. Recordou que já viveu períodos em que a sua vida esteve em perigo e que não se sente preparado para voltar a encarar esse medo. “Sou demasiado confortável na minha vida e gosto demasiado da minha filha para arriscar”, disse, assumindo-se como alguém que prefere apoiar de outra forma.
Apesar da sua ausência física, deixou claro que acompanha e respeita os que decidiram embarcar para Gaza. Nas suas palavras, essas pessoas representam o lado mais nobre da humanidade, ao colocarem-se em perigo para defender vidas inocentes. O músico frisou que, ainda que não esteja no terreno, não poderia ficar indiferente ao que considera uma crise humanitária de enormes proporções.
O cantor foi igualmente contundente nas críticas a Israel, a quem classificou como “estado genocida”, recordando os números avançados pelas autoridades palestinianas, que ultrapassam dezenas de milhares de mortos. Referiu também que a própria ONU já considerou a situação como genocídio em relatórios recentes. Para Sobral, o silêncio ou a passividade política equivalem a conivência.
No plano nacional, deixou críticas à forma como Portugal tem lidado com a situação, considerando que o governo não demonstra a mesma firmeza que outros países, como Espanha. Defendeu que, além da retirada de Portugal da Eurovisão caso Israel continue a participar, deveriam ser aplicadas sanções económicas e políticas mais duras para pressionar uma solução de dois Estados.
Mesmo sem estar presente fisicamente na missão humanitária, Salvador Sobral encontrou na música uma forma de protesto. Durante a sua última digressão internacional, incluiu no repertório uma canção palestiniana, gesto que descreveu como simbólico, mas carregado de significado. Para ele, a arte também pode ser um veículo de resistência e solidariedade.
A terminar, deixou palavras de gratidão e respeito para os portugueses que seguem no terreno, classificando-os como pessoas de enorme coragem e humanidade. Reforçou ainda a necessidade de a Europa assumir uma posição mais firme perante o que se passa em Gaza, alertando que não basta condenar: é preciso agir.
