Quim Barreira é sofrimento!

Aos 77 anos, Quim Barreiros continua a ser um dos nomes mais acarinhados da música popular portuguesa, mantendo a mesma energia, humor e irreverência que o tornaram uma figura única ao longo de mais de seis décadas de carreira. Com o seu inseparável acordeão e um repertório repleto de trocadilhos e boa disposição, o cantor natural de Vila Praia de Âncora continua a encher palcos por todo o país — mas admite que, dentro de casa, o entusiasmo nem sempre é o mesmo.

Entre risos, Quim confessa que os netos, atualmente adolescentes, sentem alguma vergonha de o ver atuar. “Eles têm vergonha de me ver cantar! É natural, quem é que não se sentiria envergonhado de ver o avô a cantar aquelas músicas?”, brinca, mostrando o bom humor que sempre o acompanhou. Apesar disso, garante que é um avô orgulhoso e compreensivo, consciente de que os tempos mudaram: “Eles ouvem outras coisas, fazem parte de outro tempo. Eu respeito isso.”

A paixão pela música começou cedo — aos nove anos —, inspirado pelo pai, conhecido como “Quim das Bicicletas”, que o acompanhava nos primeiros espetáculos. O primeiro cachet foi de 70 escudos, divididos entre todos os músicos. Desde então, o artista construiu uma carreira marcada por autenticidade e proximidade com o público, sempre sem perder o pé no chão. “Na música popular não há reis nem tronos. Cada um faz o seu caminho”, afirma com simplicidade.

Apesar de sentir o peso da idade e algumas limitações físicas, o cantor garante que ainda não pensa em despedir-se dos palcos. “Enquanto o público me quiser ver, eu estarei lá. Parar seria morrer”, diz, convicto de que a alegria é o segredo da longevidade.

Quim Barreiros continua a ser sinónimo de festa, tradição e bom humor — um símbolo da música portuguesa que, mesmo sem herdeiros musicais diretos, deixa um legado que atravessa gerações e continua a fazer parte da memória coletiva do país.

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