Morreu esta quinta-feira, aos 97 anos, António Borges Coelho — historiador, professor e poeta que marcou profundamente a cultura e o pensamento histórico português. A informação foi confirmada pelo Sindicato dos Professores da Grande Lisboa (SPGL).
Natural de Murça, onde nasceu em 1928, Borges Coelho destacou-se como uma das vozes mais influentes da historiografia nacional, combinando rigor académico com um forte sentido ético e político. Durante o regime do Estado Novo, foi detido pela PIDE devido à sua militância no Partido Comunista Português, tendo passado pelas prisões do Aljube e de Peniche.
Após a Revolução de Abril, regressou à liberdade e à docência, tornando-se professor na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde viria a formar inúmeras gerações de historiadores.
A sua obra é vasta e incontornável, com títulos de referência como Portugal na Espanha Árabe, A Inquisição de Évora e a coleção Questionar a História, que consolidaram o seu papel como um dos grandes intérpretes da história portuguesa.
Mais do que um académico, Borges Coelho foi também poeta e humanista, sempre atento às questões sociais e ao valor da liberdade.
O historiador faleceu em Lisboa, vítima de complicações respiratórias. Deixa um legado intelectual e humano que continuará a inspirar estudiosos e leitores, símbolo de uma vida dedicada ao conhecimento, à justiça e à memória coletiva.
