Alerta intensifica-se nos Açores: aumento da atividade sísmica volta a preocupar a população da Terceira
A crise sismovulcânica que afeta a ilha Terceira voltou a ganhar força esta quinta-feira, depois de três sismos sucessivos terem sido sentidos num curto intervalo de tempo. Os abalos, registados entre as 10h13 e as 12h26, apresentaram magnitudes de 1,9 a 2,6 na escala de Richter e tiveram epicentros próximos da freguesia de Santa Bárbara — o ponto mais sensível da atual instabilidade geológica que se arrasta desde 2022. Embora não tenham provocado danos materiais, reforçaram o clima de apreensão entre os habitantes e motivaram nova atenção por parte das entidades de monitorização.
O primeiro abalo, às 10h13, atingiu magnitude 1,9 e foi sentido com intensidade III. Minutos mais tarde, às 10h35, um segundo sismo — ligeiramente mais forte, com magnitude 2,0 — voltou a ser registado, chegando a intensidade III/IV em Santa Bárbara. O tremor mais intenso da série ocorreu perto das 12h30, alcançando magnitude 2,6 e sendo percecionado com intensidade IV em várias localidades, desde Cinco Ribeiras e Serreta até Raminho, Altares e Biscoitos. De acordo com o IPMA, este nível de intensidade pode causar trepidação de janelas e loiças e até movimentar veículos estacionados.
Os novos eventos surgem poucas semanas depois de o nível de alerta do vulcão de Santa Bárbara ter sido novamente elevado para V3 — fase que indica reativação do sistema vulcânico — decisão tomada a 6 de novembro pelo CIVISA e pela Universidade dos Açores. O regresso ao patamar V3 deve-se ao aumento da frequência sísmica e a sinais persistentes de deformação do solo, fenómenos que têm marcado todo o ano de 2024. Este estado de alerta já havia sido ativado anteriormente, entre junho e dezembro do ano passado, voltando agora a vigorar após vários meses em V2.
A atividade sísmica na Terceira mantém-se acima dos valores habituais desde 2022, com registos particularmente expressivos, como o sismo de magnitude 4,5 ocorrido a 14 de janeiro deste ano. A escala vulcânica do IVAR, que vai de V0 (repouso total) a V7 (erupção explosiva de grande dimensão), coloca atualmente o vulcão no terceiro nível de risco, obrigando a uma monitorização reforçada. As autoridades apelam à tranquilidade, mas também à vigilância informada, lembrando que a evolução da crise continua imprevisível e que a população deve seguir todas as recomendações oficiais.
