O filho de Francisco Pinto Balsemão quebrou o silêncio pela primeira vez após a morte do fundador da SIC e do semanário Expresso, que faleceu esta terça-feira, 21 de outubro, aos 88 anos. Visivelmente emocionado, o herdeiro do empresário e antigo primeiro-ministro português deixou uma mensagem sentida, marcada pela admiração, pelo orgulho e por um profundo amor filial.
“Perdemos mais do que um pai, perdemos um exemplo de vida. O meu pai foi, acima de tudo, um homem íntegro, exigente e justo. Deixou-nos um legado de coragem e liberdade que jamais será esquecido”, começou por dizer, num breve comunicado divulgado em nome da família.
O filho de Balsemão destacou ainda a discrição e o sentido de dever que sempre pautaram o percurso do fundador do grupo Impresa. “Nunca procurou o protagonismo. O que o movia era a vontade de servir o país e a verdade. Era um homem que acreditava profundamente no poder da palavra e no valor da imprensa livre.”
Durante o depoimento, fez questão de agradecer as inúmeras mensagens de apoio que a família tem recebido desde o anúncio da morte do empresário. “Tem sido comovente sentir o carinho de tantas pessoas — de colegas, amigos e até de quem nunca o conheceu pessoalmente. Ele tocou a vida de muita gente, e isso é o maior testemunho da sua grandeza.”
O filho de Balsemão reconheceu ainda o papel central do pai na transformação do panorama mediático português, recordando que a criação do Expresso e da SIC foram atos de coragem num país em mudança. “Ele acreditava que a democracia só existia com liberdade de expressão. Fundar o Expresso, antes mesmo do 25 de Abril, foi um gesto de resistência. Criar a SIC foi um salto de fé no futuro.”
O comunicado termina com uma nota de despedida emocionada: “A dor é grande, mas o orgulho é maior. O seu exemplo continuará a guiar-nos — na vida, nas empresas e em tudo o que acreditamos. Obrigado, Pai, por tudo o que foste e continuarás a ser para nós.”
O funeral de Francisco Pinto Balsemão realiza-se esta quarta-feira, com cerimónia reservada à família e às figuras institucionais que marcaram a sua vida pública. O Governo decretou luto nacional de dois dias em homenagem a um dos maiores nomes da história recente de Portugal.
