O processo relacionado com o desaparecimento de Mónica Silva voltou a ganhar destaque com a decisão da família em recorrer da absolvição de Fernando Valente. Dois meses após o tribunal ter ilibado o arguido de todas as acusações, incluindo homicídio qualificado, o advogado António Falé de Carvalho apresentou recurso na Relação do Porto. A defesa da família considera que houve falhas na apreciação da prova e insiste que apenas um novo julgamento poderá esclarecer todas as dúvidas.
Na decisão inicial, o coletivo de juízes concluiu que não existiam provas diretas que ligassem Valente à morte de Mónica. No entanto, ficou registado que ambos mantinham encontros íntimos, que o arguido adquiriu um cartão pré-pago para combinar um encontro e que o apartamento onde a jovem esteve foi alvo de uma limpeza profunda no mesmo dia em que desapareceu. Para a acusação, estes factos deveriam ter tido maior peso no processo.
Apesar da gravidade desses indícios, os magistrados consideraram que não havia provas suficientes para confirmar a morte de Mónica, nem para imputar a responsabilidade a Valente. Essa decisão gerou enorme indignação entre os familiares, que não se conformam com a ausência de respostas concretas e que agora exigem que a Relação reavalie todo o processo.
O recurso entregue inclui ainda o pedido de substituição do coletivo de juízes, numa tentativa de garantir uma análise independente e livre de influências externas. A família acredita que apenas um novo julgamento poderá trazer luz sobre os factos e fazer justiça em nome da jovem desaparecida.
Ao mesmo tempo, Fernando Valente abriu processos por difamação contra duas familiares de Mónica: a tia e a irmã gémea. O arguido pede indemnizações de cinco mil e mil euros, respetivamente, alegando que foi injustamente acusado de ser o responsável pela morte da jovem em entrevistas e publicações nas redes sociais.
Este contra-ataque judicial aumentou ainda mais a tensão entre as partes envolvidas. Para a família, trata-se de uma manobra para silenciar vozes que apenas procuram respostas. Para Valente, é uma forma de defender a sua honra e limpar o seu nome depois de meses de acusações públicas.
Recorde-se que Mónica Silva desapareceu a 3 de outubro de 2023, estando grávida na altura, e o seu corpo nunca chegou a ser encontrado. Essa ausência de um desfecho físico do caso é um dos elementos que mais fragilizou a acusação e que foi determinante na decisão de absolvição.
Ainda assim, a família insiste que os elementos já confirmados no processo são demasiado relevantes para terem sido ignorados. Defendem que a ligação de Valente ao desaparecimento é evidente e que apenas a falta do corpo impediu a condenação.
O caso continua a ser acompanhado de perto pela opinião pública, não só pelo impacto mediático do desaparecimento de Mónica, mas também pelas polémicas judiciais que se têm sucedido desde então. A sensação generalizada é de que muitas perguntas continuam sem resposta.
Agora, cabe à Relação do Porto decidir os próximos passos. Se o recurso for aceite, poderá haver um novo julgamento, trazendo novamente Fernando Valente ao banco dos réus. Caso contrário, a absolvição manter-se-á, deixando a família sem as respostas e a justiça que tanto procuram.
