Última hora, portugueses veem Salário subir para os 1.600?

O primeiro-ministro e líder do PSD, Luís Montenegro, elevou este sábado as metas salariais que defende para o país, passando a apontar para um salário mínimo a rondar os 1.600 euros e um salário médio nos 3.000 euros, apenas um dia depois de ter referido valores mais baixos.

Durante o discurso de encerramento do X Congresso Nacional dos Autarcas Social-Democratas, no Porto, Montenegro afirmou que o Governo não se contenta com um crescimento económico anual de 2%. Pelo contrário, disse ambicionar ritmos entre 3% e 4%, capazes de sustentar aumentos salariais mais expressivos. Segundo o primeiro-ministro, o objetivo para a legislatura passa por ultrapassar claramente os 1.100 euros de salário mínimo, defendendo que o país deve ir mais longe, aproximando-se dos 1.500 ou mesmo 1.600 euros.

O líder do Executivo clarificou ainda que também não se satisfaz com salários médios na ordem dos 1.600 ou 1.700 euros, defendendo uma meta muito mais elevada, entre os 2.500 e os 3.000 euros. Estas declarações surgem depois de, na sexta-feira, ter admitido a possibilidade de aproveitar uma eventual alteração às leis laborais para fazer subir o salário mínimo para 1.500 euros e o salário médio para valores entre 2.000 e 2.500 euros.

Na reação a essas declarações, o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, acusou o primeiro-ministro de estar a criar falsas expectativas junto dos trabalhadores, classificando a proposta como uma “cenoura” destinada a esvaziar o impacto da greve geral.

Apesar da presença da comunicação social à entrada e à saída do Auditório Nobre do ISEP, Montenegro recusou prestar esclarecimentos adicionais, remetendo todas as mensagens para o discurso proferido no congresso.

Nesse mesmo discurso, sublinhou que o objetivo do Governo passa por gerar riqueza sustentável como forma estrutural de combater a pobreza, defendendo um projeto de desenvolvimento sólido, duradouro e com reconhecimento europeu. Rejeitou as críticas de quem duvida da ambição do Executivo, recordando que, no passado, essas mesmas vozes falharam ao prever o incumprimento das metas orçamentais, que acabaram por ser superadas.

O primeiro-ministro mostrou-se confiante de que, dentro de um ano, e sobretudo no final da legislatura, em 2029, os resultados confirmarão a validade das suas palavras. Referiu ainda que a coincidência entre o fim do mandato governativo e dos mandatos autárquicos cria uma oportunidade única para transformar o país, sublinhando que o PSD detém uma responsabilidade acrescida, dado o peso eleitoral conquistado nas autárquicas.

Montenegro afirmou que Governo e autarcas sociais-democratas têm agora a responsabilidade direta de governar bem, tanto a nível central como local, defendendo que essa maioria política deve ser usada com sentido de dever e não com receio.

Apelou também à valorização dos melhores quadros nas autarquias, independentemente de serem militantes do partido, como forma de enfrentar extremismos, populismos e tendências autoritárias. Segundo o primeiro-ministro, só com competência e qualidade se consegue fortalecer a democracia.

Por fim, reiterou a necessidade de reforçar as competências das autarquias e das estruturas intermunicipais, acompanhadas de autonomia financeira, defendendo maior confiança nos eleitos locais. Nesse contexto, comprometeu-se a reduzir burocracia, rever o Código dos Contratos Públicos, simplificar licenciamentos e acelerar pareceres, mantendo, no entanto, uma postura mais firme na penalização de quem abuse dessa confiança.

Deixe um comentário