Dezembro costuma ser, nas redações, o mês em que se elegem as figuras que mais marcaram o ano. Porém, desta vez, a tarefa parece mais complicada do que nunca — e o título desta crónica explica porquê.
Quem poderá ser considerado a personalidade do ano em Portugal? Ou, invertendo a pergunta: quem conseguiu ter um impacto maior do que André Ventura? A resposta não surge facilmente.
Para desfazer preconceitos, vale recordar que a revista Time – uma das referências mundiais na eleição da “Pessoa do Ano” – já distinguiu Donald Trump por duas vezes, em 2016 e em 2024, precisamente nos anos em que venceu as presidenciais norte-americanas. A distinção não pressupõe admiração: traduz, sim, o peso incontornável de uma figura na esfera pública.
E olhando objetivamente para o panorama político português, torna-se difícil ignorar o lugar ocupado por André Ventura em 2025. Tal como Trump nos EUA, a escolha não se faz por virtudes, mas pela influência que exerce na atualidade.
Este ano, Ventura e o Chega consolidaram-se como a segunda maior força política nacional, ultrapassando o PS e conquistando 60 deputados no Parlamento. Nunca desde o 25 de Abril o tradicional equilíbrio entre PS e PSD tinha sido tão profundamente desafiado. O PRD foi uma exceção pontual; o Chega, pelo contrário, mostra sinais de enraizamento e crescimento constantes.
Até há poucos anos, o partido não tinha qualquer presença no poder autárquico. Agora, lidera três câmaras municipais e tornou-se um parceiro imprescindível em várias governações locais.
O ano termina ainda com outro dado expressivo: as sondagens apontam Ventura como um candidato extremamente competitivo nas presidenciais de 2026, com fortes probabilidades de chegar à segunda volta.
O populismo de direita radical que representa deixou de ser visto como uma curiosidade ou como um fenómeno periférico. Hoje, molda a discussão pública e empurra temas como imigração, segurança ou corrupção para o centro do debate nacional.
André Ventura é, inevitavelmente, a figura portuguesa de 2025. Este facto diz muito sobre o estado do país, mas também sobre o panorama global. Recusar essa conclusão seria fechar os olhos à realidade. Podemos discordar dela, mas não deixará de existir só porque preferimos ignorá-la.
