Doentes enfrentam espera de 24 h nas urgências do hospital Amadora Sintra!

Nas últimas semanas, o Hospital Amadora-Sintra tem enfrentado uma pressão fora do comum nas urgências, especialmente no atendimento de doentes com pulseira amarela — casos considerados urgentes. Há relatos de utentes que esperaram muitas horas até serem observados por um médico, uma situação que tem gerado crescente preocupação entre profissionais de saúde e familiares.

Fontes hospitalares admitem que, em determinados períodos, o tempo de espera ultrapassou largamente o limite recomendado de uma hora, chegando em alguns casos a mais de meio dia. O aumento de doentes com sintomas respiratórios, o regresso das doenças sazonais e a falta de recursos humanos têm contribuído para este cenário de saturação.

Dentro das urgências, o ambiente é de cansaço e frustração. Médicos e enfermeiros multiplicam esforços para responder ao fluxo constante de entradas, mas reconhecem que o número de profissionais disponível não é suficiente para garantir uma resposta atempada a todos os casos. Muitos utentes que não apresentam risco imediato de vida acabam por permanecer horas em macas, à espera da sua vez.

A triagem de Manchester, que orienta o atendimento hospitalar em Portugal, determina que um doente classificado como “amarelo” deve ser avaliado num prazo máximo de 60 minutos. No entanto, esse padrão está longe de ser cumprido em dias de maior afluência. A administração do hospital garante que tem vindo a reforçar equipas e a reorganizar turnos, mas reconhece as dificuldades.

Os sindicatos da saúde alertam que esta situação não é exclusiva do Amadora-Sintra, mas reflete um problema estrutural do Serviço Nacional de Saúde: a escassez de médicos, o excesso de doentes não urgentes nas urgências e a falta de camas para internamento, que bloqueia a rotação dos pacientes.

Entretanto, familiares e utentes continuam a usar as redes sociais para denunciar esperas que descrevem como “insuportáveis”. Muitos relatam que chegam ao hospital de manhã e só são atendidos no final da noite, o que tem aumentado o descontentamento público.

Apesar das dificuldades, a administração hospitalar assegura que nenhum doente em risco fica sem resposta imediata e que as equipas mantêm vigilância permanente sobre os casos prioritários. Ainda assim, todos concordam que é urgente reforçar recursos e rever o modelo de atendimento, para que a urgência volte a ser sinónimo de resposta rápida e eficaz.

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