Uma nova polémica envolve o partido Chega após a divulgação, nas redes sociais, de uma imagem manipulada por inteligência artificial. O membro do Conselho Nacional, Pedro Pinto Faria, publicou no X (antigo Twitter) um cartaz que mostrava o líder do partido, André Ventura, ao lado da frase: “Tira os teus putos castanhos da minha creche.” A publicação rapidamente se tornou viral, ultrapassando as 400 mil visualizações e gerando fortes críticas.
Entre as vozes mais ativas na reação pública está a antiga eurodeputada Ana Gomes, que considerou o conteúdo da publicação um “ardil para difundir propaganda racista”. A ex-diplomata não tardou a agir e apresentou uma queixa-crime contra Pedro Pinto Faria, alegando que o uso de imagens falsas e mensagens discriminatórias constitui uma tentativa deliberada de normalizar o discurso de ódio nas plataformas digitais.
O caso levanta novamente o debate sobre o uso de ferramentas de inteligência artificial para criar conteúdos políticos falsos, um fenómeno que tem crescido em vários países e que ameaça confundir o público entre o que é real e o que é manipulado. Especialistas em comunicação política alertam que este tipo de prática cria uma “hiper-realidade”, na qual a verdade e a ficção se tornam indistintas, servindo estratégias de desinformação.
Segundo fontes próximas do partido, a imagem em causa não faz parte de nenhuma campanha oficial e terá sido publicada por iniciativa individual. Ainda assim, a controvérsia colocou o Chega novamente sob os holofotes, numa altura em que o partido tenta reforçar a sua presença mediática através das redes sociais.
A procuradoria já terá recebido a denúncia formal apresentada por Ana Gomes, que exige responsabilização criminal por incitamento ao ódio racial e manipulação de imagem com fins políticos.
Nas redes sociais, as reações dividem-se: enquanto alguns utilizadores condenam o conteúdo e pedem sanções, outros defendem que se tratou de uma sátira ou de um teste à sensibilidade pública.
Independentemente da intenção, o episódio reacende a discussão sobre os limites éticos da inteligência artificial na política e o papel das redes sociais na amplificação de discursos potencialmente discriminatórios — um tema que promete continuar a marcar a atualidade nos próximos dias.
