Lilian estava a fazer as malas, cada peça de roupa dobrada com pressa, como se a velocidade do movimento fosse capaz de apagar as angústias que a invadiam. A casa estava silenciosa, mas a tensão no ar era palpável. Dylan entrou no quarto, observando-a em silêncio por um momento antes de se aproximar. Sabia o que estava a acontecer, mas não conseguia aceitar.
“Não faz isso, Liliana”, disse ele, a voz tensa, quase um sussurro. “Não é assim que as coisas se resolvem.”
Liliana parou por um instante, o olhar distante, como se estivesse a tentar decidir entre o que realmente queria e o que deveria fazer. “Eu não consigo mais, Dylan. Tudo se desfez. Não há mais espaço para tentativas. Já tentei de todas as formas, mas chegou o momento de seguir em frente. Eu não posso ficar aqui.”
Dylan, embora sentisse a dor dela, não queria ver Lilian a tomar uma decisão precipitada. “Entendo que esteja difícil, mas fugir não vai trazer as respostas que procuras. Não resolves nada assim. Eu sei que a dor é insuportável, mas talvez se pudesses parar um pouco para pensar, perceberias que há outra forma de lidar com isso, sem partir para sempre.”
Lilian olhou-o, os olhos cansados, e uma lágrima escorreu pela sua face. “E o que mais me resta, Dylan? Ficar aqui e esperar o quê? Que as coisas voltem ao normal? Eu perdi a confiança, a paz… já não sou a mesma. Preciso de espaço. Preciso de uma mudança.”
Ele respirou fundo, sentindo a frustração crescer dentro de si, mas sabendo que não podia forçar Lilian a ficar. “Tu és forte, Lilian, e sei que tens em ti a capacidade de superar isso. Não tem que ser agora. Pode ser amanhã ou depois, quando te sentires mais pronta. Só… não decides o teu futuro com base na dor do momento.”
Lilian ficou em silêncio, o som do zíper da mala a quebrar a quietude. Dylan sentiu que as palavras dela estavam carregadas de uma resolução profunda, mas também de medo. Sabia que, independentemente de tudo o que dissesse, a decisão final era dela. “Se for mesmo o que desejas”, disse ele, a voz agora suave, “eu só quero que sigas o teu coração, mas com calma, com clareza.”
Ela suspirou, colocando a última peça de roupa na mala. “Obrigada, Dylan. Eu só… preciso de tempo para encontrar a mim mesma.”
