Portugal em luto pela morte de Francisco Pinto Balsemão: o visionário que marcou a democracia e o jornalismo
Portugal despede-se de Francisco Pinto Balsemão, uma das figuras mais influentes da política e do jornalismo nacional. O fundador da SIC e do semanário Expresso faleceu esta terça-feira, 21 de outubro de 2025, aos 86 anos, deixando um legado inigualável na história contemporânea do país. O seu nome ficará para sempre associado à liberdade de imprensa, à pluralidade democrática e à modernização dos media portugueses.
Desde cedo, Balsemão destacou-se pela sua coragem intelectual e sentido de missão. Ainda antes do 25 de Abril, integrou a Ala Liberal, grupo que defendia reformas dentro do regime, e, após a Revolução, foi um dos fundadores do PPD (hoje PSD), ao lado de Francisco Sá Carneiro e Joaquim Magalhães Mota. Em 1981, assumiu o cargo de primeiro-ministro, liderando o país durante um dos períodos mais desafiantes da jovem democracia. A revisão constitucional de 1982, que ajudou a concretizar, foi decisiva para o reforço das instituições democráticas e para o caminho de integração europeia.
Mas foi no jornalismo que encontrou a sua verdadeira vocação. Em 1973, fundou o Expresso, um semanário que viria a tornar-se símbolo da liberdade de expressão e da reflexão crítica em Portugal. O jornal marcou gerações de leitores e formou dezenas de profissionais que moldaram a comunicação social portuguesa.
Em 1992, voltou a fazer história ao criar a SIC, a primeira estação privada de televisão em Portugal. A aposta era arriscada, mas a visão de Balsemão revelou-se acertada: a SIC tornou-se rapidamente líder de audiências e um marco de inovação no audiovisual português. Mais tarde, com a fundação da SIC Notícias, em 2001, consolidou o primeiro canal temático de informação no país, reforçando o seu compromisso com o rigor e a credibilidade jornalística.
Ao longo da vida, Pinto Balsemão foi distinguido com várias condecorações nacionais e internacionais. Em setembro de 2025, recebeu das mãos do Presidente da República a Grã-Cruz da Ordem de Camões, em reconhecimento pela sua contribuição excecional para a língua e a cultura portuguesas.
A morte de Balsemão encerra uma era, mas o seu legado ético e intelectual continuará a inspirar jornalistas, políticos e cidadãos. De espírito sereno, visão estratégica e palavra ponderada, Francisco Pinto Balsemão será lembrado como um homem de ideias firmes e de convicções democráticas inabaláveis.
Mais do que um nome na história, Balsemão deixa uma obra viva — presente nas redações, nos ecrãs e no pensamento livre de um país que ajudou a construir.
