Furacão Humberto e tempestade Imelda: impacto indireto poderá sentir-se em Portugal
Depois da passagem da tempestade Gabrielle, que deixou vários estragos nos Açores e trouxe chuva intensa ao continente, os olhos voltam-se agora para o Atlântico, onde dois novos fenómenos atmosféricos chamam a atenção: o furacão Humberto e a tempestade tropical Imelda.
De acordo com especialistas, nenhum dos dois deverá atingir diretamente o território português, mas a sua presença pode influenciar o padrão meteorológico na região, sobretudo no que diz respeito à descida das temperaturas prevista para o próximo fim de semana.
Atualmente, o furacão Humberto apresenta ventos na ordem dos 230 km/h, sendo classificado como de categoria 4, embora tenha chegado a atingir a categoria máxima 5 por algumas horas. O fenómeno encontra-se perto das Bermudas e segue trajetória para noroeste e norte.
Já a tempestade tropical Imelda formou-se entre Cuba e as Bahamas, registando ventos bem mais moderados, entre 92 e 95 km/h. As previsões apontam que deverá intensificar-se até furacão de categoria 1 antes de mudar de rota, desviando-se para leste/nordeste e afastando-se da costa norte-americana.
O ponto de maior interesse para os especialistas é a possibilidade de interação entre os dois sistemas, através do chamado efeito Fujiwhara. Este fenómeno acontece quando dois ciclones tropicais se aproximam a tal ponto que os respetivos centros começam a “dançar” em torno um do outro, alterando as suas trajetórias habituais.
Se tal interação ocorrer, pode ser suficiente para modificar a posição do anticiclone dos Açores, que desempenha um papel central no clima da Península Ibérica. Ao deslocar-se para leste ou afastar-se da sua posição habitual, este sistema de alta pressão pode abrir caminho à entrada de ventos mais frios de norte.
Segundo Hélder Lopes, professor do Departamento de Geografia da Universidade do Minho, esse deslocamento poderá traduzir-se em “pequenas mudanças no estado do tempo em Portugal continental, nomeadamente uma descida das temperaturas no próximo fim de semana”.
Embora não se prevejam efeitos de grande escala, a evolução de Humberto e Imelda continua a ser monitorizada de perto, uma vez que a intensidade e a rota destes sistemas podem sofrer alterações inesperadas.
