Tempestade vinda do Atlântico pode afetar Portugal!

Os furacões são fenómenos tropicais que, na maioria das vezes, afetam as Caraíbas, o Golfo do México e a costa leste dos Estados Unidos. No entanto, alguns desses sistemas conseguem atravessar o Atlântico e chegar à Europa, incluindo Portugal, embora já bastante enfraquecidos. Apesar de raro, esse fenómeno já deixou marcas significativas no território português.

Um dos casos mais mediáticos foi o furacão Leslie, em outubro de 2018. O sistema atingiu o continente com rajadas de vento que superaram os 170 km/h em algumas regiões do centro do país. Apesar de ter perdido parte da sua força, o Leslie provocou quedas de árvores, danos em habitações, falhas de energia elétrica e deixou milhares de pessoas desalojadas. Foi considerado um dos episódios mais fortes de sempre relacionados com ciclones tropicais em Portugal.

Outro episódio marcante ocorreu em setembro de 2005 com o furacão Vince. Formado no Atlântico oriental, algo extremamente invulgar, Vince acabou por atingir a região do Algarve já como tempestade tropical. Apesar da sua intensidade reduzida no momento do impacto, tratou-se de um caso inédito, já que raramente sistemas tropicais se desenvolvem tão perto da Península Ibérica.

Em setembro de 2020, Portugal voltou a viver um fenómeno invulgar com a Tempestade Subtropical Alpha. Este sistema nasceu a oeste da costa portuguesa e atingiu rapidamente o território continental. Embora de curta duração, o Alpha trouxe chuvas intensas, ventos fortes e inundações localizadas, mostrando que não é apenas o Atlântico ocidental que pode gerar sistemas perigosos.

As causas para que furacões ou tempestades tropicais cheguem a Portugal estão relacionadas com vários fatores meteorológicos. O primeiro é a corrente de jato e os sistemas de baixa pressão que guiam os ciclones tropicais em direção à Europa. Quando um furacão entra em fase de transição extratropical, pode manter grande capacidade destrutiva, mesmo que já não seja oficialmente classificado como furacão.

Outro fator importante é a temperatura da água do mar. Normalmente, o Atlântico junto a Portugal é demasiado frio para sustentar a força de um ciclone tropical. Contudo, nos últimos anos, as alterações climáticas têm provocado o aquecimento das águas, aumentando o risco de que sistemas tropicais sobrevivam por mais tempo no Atlântico oriental.

posição geográfica dos Açores e da Madeira também os coloca em risco acrescido. Por estarem no Atlântico, estas ilhas já foram várias vezes afetadas por tempestades com origem tropical. O furacão Ophelia, em 2017, passou relativamente perto dos Açores antes de se dirigir para a Irlanda, demonstrando o perigo constante que a região enfrenta.

Os cientistas alertam que, devido ao aquecimento global, o número de sistemas tropicais a atingir latitudes mais elevadas pode aumentar. Isso não significa que Portugal vá ser atingido por furacões de categoria máxima, como acontece nos Estados Unidos, mas sim que a frequência de tempestades atípicas, como o Leslie ou o Alpha, poderá tornar-se mais comum.

As consequências em Portugal vão desde ventos fortes e chuvas torrenciais até danos na agricultura, nos sistemas elétricos e em infraestruturas. Além disso, há sempre o risco acrescido de acidentes rodoviários e quedas de árvores, especialmente em zonas urbanas densamente povoadas.

Em conclusão, embora Portugal não esteja na rota principal dos furacões, os exemplos do Leslie, Vince e Alpha provam que o país não está imune. As mudanças climáticas e a evolução das condições oceânicas tornam cada vez mais provável que novos episódios semelhantes ocorram no futuro. A preparação, a informação e a capacidade de resposta da proteção civil serão determinantes para reduzir os impactos destes fenómenos

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