ÚLTIMA HORA: MUNDO DA MÚSICA EM CHOQUE!

O Brasil e a cena musical mundial estão de luto com a morte de Hermeto Pascoal, figura incontornável da música universal e um dos artistas mais inovadores do último século. O multi-instrumentista, compositor e improvisador, conhecido como “O Bruxo”, faleceu este sábado, 13 de setembro, deixando um legado inestimável que atravessa gerações e fronteiras.

Hermeto tinha 88 anos e estava escalado para atuar no Festival Acessa, em Belo Horizonte, na mesma data em que ocorreu o seu falecimento. O concerto acabou por se transformar numa homenagem sentida, com a sua banda, Nave Mãe, a subir ao palco sozinha, cumprindo o espírito que sempre guiou o músico: a música não deve parar.

Num comunicado emocionado partilhado nas redes sociais, os integrantes da Nave Mãe escreveram: “No exato momento da passagem, seu grupo estava no palco, como ele gostaria: fazendo som e música. Como ele sempre nos ensinou, não deixemos a tristeza tomar conta: escutemos o vento, o canto dos pássaros, o copo d’água, a cachoeira. A música universal segue viva.”

Ao longo da sua carreira, Hermeto Pascoal conquistou três Grammy Latinos, além do respeito e admiração de músicos de todos os géneros, do jazz ao erudito, passando pelas sonoridades populares brasileiras. Era considerado um dos grandes improvisadores do mundo, capaz de transformar sons do quotidiano em pura poesia musical.

Nascido em Lagoa da Canoa, Alagoas, Hermeto começou cedo a experimentar instrumentos e sons. Cego de nascença em um olho e albino, desafiou desde jovem preconceitos e dificuldades para se afirmar como um dos músicos mais criativos e originais do planeta. A sua inventividade valeu-lhe o título de génio e o reconhecimento de artistas internacionais, entre eles Miles Davis, que o considerava um dos maiores músicos vivos.

A sua obra, marcada pela improvisação e pela ideia de “música universal”, rompeu fronteiras geográficas e estilísticas. Hermeto defendia que tudo podia ser música — desde o sopro do vento ao ruído de uma chaleira —, visão que inspirou gerações de compositores, intérpretes e ouvintes em todo o mundo.

A morte do artista gerou uma onda de homenagens imediatas. Músicos, fãs e personalidades culturais usaram as redes sociais para destacar a sua genialidade, o humor contagiante e a forma única como encarava a vida e a arte. Muitos consideram que Hermeto não partiu, mas apenas se transformou em música, permanecendo vivo através das suas composições e da sua filosofia artística.

Com a sua partida, o mundo perde um criador irrepetível, mas o seu legado permanecerá eterno. Hermeto Pascoal deixa-nos não apenas obras gravadas, mas também uma visão libertadora da arte, que continua a inspirar aqueles que acreditam que a música, tal como a vida, está presente em todos os lugares e momentos

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