Um grave acidente abalou Lisboa esta quarta-feira, ao final da tarde, quando o Elevador da Glória descarrilou na Calçada da Glória, uma das zonas mais icónicas da cidade. O incidente provocou 15 mortos e 18 feridos, cinco deles em estado considerado muito grave, segundo confirmou uma fonte do INEM aos jornalistas presentes no local.
A tragédia deixou em choque não só a capital, mas todo o país, uma vez que o elevador é um dos símbolos históricos e turísticos mais conhecidos de Lisboa. A identidade e nacionalidade das vítimas ainda não foram oficialmente divulgadas, mas as autoridades admitem que, entre os nomes registados, existem apelidos de origem estrangeira.
Carlos Moedas, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, deslocou-se de imediato para o local, onde prestou declarações visivelmente emocionado. O autarca anunciou o cancelamento da sua agenda para quinta-feira e garantiu todo o apoio às famílias das vítimas, sublinhando que esta é “uma noite de luto para a cidade”.
Também Miguel Pinto Luz, Ministro das Infraestruturas, esteve presente no local da ocorrência, acompanhado por elementos da Proteção Civil. O governante assegurou que o executivo está a acompanhar a situação “desde os primeiros minutos” e que serão apuradas responsabilidades assim que as investigações o permitirem.
De acordo com a página oficial da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, foram mobilizados para o local 59 operacionais, apoiados por 21 viaturas de socorro. A dimensão da tragédia levou à montagem de uma tenda de campanha para a remoção e identificação das vítimas mortais.
As operações de resgate prolongaram-se durante várias horas e foram descritas como de elevada complexidade, devido à dificuldade de acesso e ao peso do histórico funicular. Várias ruas adjacentes foram entretanto cortadas para permitir a circulação de ambulâncias e veículos de apoio.
O Ministério Público já anunciou a abertura de um inquérito para apurar as causas do descarrilamento. Técnicos especializados da área dos transportes e da engenharia ferroviária vão ser chamados a colaborar, de modo a esclarecer se houve falha mecânica, humana ou estrutural na infraestrutura.
Em sinal de respeito pelas vítimas, o Governo decretou um dia de luto nacional, durante o qual as bandeiras estarão a meia-haste em todos os edifícios públicos. A decisão foi comunicada ao final da noite, num gesto simbólico de solidariedade para com as famílias e todos os afetados.
A população lisboeta viveu momentos de grande comoção ao assistir ao acidente e às operações de resgate. Muitos curiosos concentraram-se no local, mas rapidamente foram afastados pelas autoridades para facilitar o trabalho dos bombeiros e do INEM. Testemunhas relatam ter ouvido um estrondo seguido de gritos, descrevendo cenas de pânico.
O Elevador da Glória, em funcionamento desde 1885 e classificado como Monumento Nacional, era diariamente utilizado por turistas e residentes. A tragédia desta quarta-feira marca uma das páginas mais negras da história recente dos transportes públicos de Lisboa, deixando a cidade mergulhada em dor e consternação.
